O Pastor Silvio Rosendo, atual presidente da Convenção Batista Goiana, falando sobre o tema: "Família, vivendo e fazendo missões", no último dia 01 de maio no ACAMBAGO (Acampamento Batista Goiano), durante a cerimônia de Lançamento da Campanha de Missões Estaduais. sexta-feira, 20 de junho de 2014
FAMÍLIA, VIVENDO E FAZENDO MISSÕES - PR. SILVIO ROSENDO
O Pastor Silvio Rosendo, atual presidente da Convenção Batista Goiana, falando sobre o tema: "Família, vivendo e fazendo missões", no último dia 01 de maio no ACAMBAGO (Acampamento Batista Goiano), durante a cerimônia de Lançamento da Campanha de Missões Estaduais. quinta-feira, 22 de março de 2012
PASTOR WAGNER RIBEIRO DE ARAÚJO - ENTREVISTA
1. A Convenção Batista Goiana foi criada em vinte e um de julho de 1939, portanto há setenta e três anos. Quais as atribuições de uma Convenção e quais suas impressões sobre esta, em particular, com relação ao atendimento das mesmas?
A Convenção Batista Goiana é uma associação de Igrejas Batistas em âmbito estadual. Possui em seu rol igrejas Batistas que declaram aceitar a Bíblia Sagrada como única regra de fé e prática, e que reconhecem como sua fiel interpretação a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira. A nossa Convenção, segundo o estatuto, tem por finalidade promover a glorificação a Deus e a unidade de suas igrejas, e cooperar com as igrejas no desenvolvimento da obra de evangelização e missões, educação teológica, musical, ação social, etc. O relacionamento da Convenção com as igrejas a ela filiadas é cooperativo.
As igrejas Batistas quando se filiaram, comprometeram-se a dar apoio moral, espiritual e financeiro para que a Convenção possa atingir seus objetivos. Lembrando que (conforme nossos princípios batistas) o princípio governante de uma igreja local é a soberania de Jesus Cristo e a autonomia da igreja local. Como igreja, nossa forma de governo é congregacional, isto é, cada igreja batista é democrática e autônoma nas suas decisões e administração. E isto reflete a responsabilidade que cada crente deve ter sob a orientação e autoridade de Jesus Cristo, o cabeça da Igreja. Neste sentido, a Convenção não exerce poder de governo sobre nossas igrejas, mas sim de orientação, cooperação, apoio e acompanhamento quando for solicitada.
Quanto ao atendimento, a CBG através de sua secretaria executiva ou mesmo sua presidência, tem atendido a todos que a procuram. Seja no escritório, seja através de telefonemas, conversa pessoal, convites, e-mails, etc. Sempre que solicitada a Convenção tem atendido, na medida do possível, a todas as Igrejas. Entretanto, o trabalho é muito amplo, são cerca de 232 igrejas e congregações que pertencem ao nosso campo. Tanto o Secretário Geral, quanto eu, temos procurado com alegria estar presentes em inúmeros eventos de nossas igrejas, tais como: aniversários de igrejas, concílios de organizações de igrejas, assembléias de associações batistas regionais, reuniões, representação junto a Convenção Batista Brasileira (CBB), etc. Desejamos contar com as orações e apoio de todos os irmãos, pastores e líderes, pois sabemos que a seara é muito grande, o trabalho é imenso, e temos nos esforçado ao máximo para realizá-lo da melhor forma possível. Somos dependentes da graça de Deus, e nosso desejo é ser instrumentos de Deus em sua obra local e denominacional. Entretanto, a obra não é só nossa como Convenção, mas de cada igreja, de cada um de nós como crentes em Cristo. Cremos que é o Senhor quem nos ajuda e sustenta. E contamos com o apoio e oração de todos os nossos irmãos e suas respectivas igrejas.
2. Os batistas chegaram a Goiás através de missionários norte-americanos que discipularam os primeiros cristãos e organizaram as primeiras igrejas, depois faleceram ou retornarem ao seu país de origem. Qual a contribuição destes missionários na constituição da igreja batista goiana?
A contribuição de nossos primeiros missionários foi grandiosa. Devemos observar que, se hoje temos o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo é porque um dia alguém se dispôs a ser instrumento de Deus para que outros fossem salvos. Houve cooperação. Aliás, somos frutos de cooperação e devemos continuar trabalhando através da cooperação. Um bom exemplo disto foi o grande servo de Deus, o missionário Salomão Luiz Ginsburg, que segundo dados históricos, em 1920, partiu de São Paulo, com o aval de sua igreja, a Primeira Igreja Batista de São Paulo, com a finalidade de trazer as boas novas do Evangelho ao povo de Goiás. Isto ele fez com muito amor, dedicação e esforço; chegando à cidade de Catalão/GO, onde iniciou uma Congregação Batista que foi organizada oficialmente no dia 14 de Março de 1920. Esta Congregação foi o marco histórico dos Batistas em Goiás. Lembrando que na época não havia os meios de transporte modernos que temos hoje, as viagens eram longas e demoradas, duravam dias, e eram feitas nos lombos de animais. Muitos missionários vieram ao nosso país através do envio de suas juntas missionárias. E aqui trabalharam na pregação do evangelho, na área do ensino secular e religioso, na plantação de igrejas e frentes missionárias, no apoio e treinamento a pastores e líderes, inclusive no ensino teológico, etc. Inúmeros missionário,s ao longo dos tempos, deram sua valiosa contribuição para que o Evangelho de Jesus Cristo fosse vivido e propagado por todo o nosso Estado de Goiás. Somos gratos a Deus por todos eles.
3. Em que a igreja legada pelos fundadores se diferenciava da atual igreja batista goiana?
Devemos entender que somos a mesma igreja, o mesmo povo. Entretanto, entendo que a diferença da igreja antiga para as atuais consiste em que muitas igrejas contemporâneas se diferenciam na questão litúrgica. Outras vão mais longe e permitem que o modismo adentre às suas portas. Estas parecem tender para algum método de crescimento de igreja, muitos totalmente fora dos princípios bíblicos. É aí que está a nossa preocupação. Cremos que o verdadeiro método de crescimento ensinado na Bíblia é a pregação do evangelho. Não deve existir outro. Entendo que não precisamos imitar grupo evangélico nenhum, temos a nossa própria identidade. Também, quanto à liturgia, precisamos ter cuidado com o que estamos pregando e cantando. Nada contra cânticos, gosto de muitos; mas o que tenho percebido é que atualmente há muitas músicas totalmente erradas do ponto de vista teológico. O que é um desastre, pois se prega a verdade de Deus e canta-se uma verdadeira mentira. Precisamos ter cuidado com isto.
Outra questão: devemos observar que costumes quanto a liturgias de cultos até podem mudar (pois de fato não há padrões bíblicos ou mesmo modelos bíblicos para questão de liturgia). Mas quanto aos princípios bíblicos, a doutrina ensinada pelos Apóstolos de Cristo, que é a mesma doutrina de Cristo, jamais pode mudar. Mas, infelizmente, há muitas práticas estranhas hoje e em muitos lugares a doutrina verdadeira está sendo deturpada. Falando dos batistas, creio que temos, e devemos ter, a nossa própria identidade como povo batista que somos. Isto é, prezar pela verdade da palavra de Deus; essa verdade não pode ser negociada ou minimizada. Deve ser pregada sem disfarces, sem ilusões, sem modismos, sem invenções mirabolantes e carnais.
4. Existem igrejas batistas em Goiás bastante variadas, desde aquelas que distribuem pequenos brindes contendo informações sobre a igreja e o pastor, até aquelas que ostentam na fachada informações como: Culto do Poder do Espírito Santo e Horários da Bênção. Diante de tal variedade, como identificar uma genuína igreja batista no Estado?
Vivemos em uma era pós-moderna onde os modismos têm imperado. E infelizmente temos percebido isto por aí. Cabe a nós orientarmos e orarmos pelo povo de Deus. Percebo que, mesmo em minoria, existem líderes ou pastores que estão fazendo de tudo para angariar novos “adeptos”. Muitos estão oferecendo “produtos” variados aos seus “consumidores”. Algumas igrejas, das mais diversas denominações, se submetem à lei da oferta e da procura e oferecem o evangelho segundo o gosto do “freguês”. Será que preciso minimizar a mensagem da pregação do evangelho para não mexer com o pecador, e este permaneça em minha igreja? Mas entendo que, como batistas, não podemos seguir tais práticas. Meu desejo é que em nosso meio haja verdadeira maturidade espiritual e que estes modismos não penetrem em nenhuma igreja que se denomina batista, que faz parte de nossa Convenção. O que acontece hoje é o cumprimento das profecias. Segundo a Bíblia muitos apostatarão da fé e darão ouvidos a doutrinas de demônios; como diz 1Timóteo 4.1 - “Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrina de demônios”.
Entendo que se quisermos ser uma igreja bíblica, jamais poderemos negociar nossos princípios e valores. Eu jamais devo fazer o que eu acho, penso ou gosto, em detrimento da Palavra de Deus; mas sim o que a Bíblia diz e ensina, e requer de nós. Cada pastor ou líder deve depender totalmente da direção de Jesus Cristo. Jesus é o cabeça da igreja, nós não. Como líderes precisamos ter o cuidado para não sermos lobos devoradores, que levam o rebanho a apostatar da fé e a praticar coisas estranhas à Palavra de Deus. Uma igreja batista genuína vive, prega e valoriza a Palavra de Deus, a Bíblia. Não se submete aos modismos humanos e carnais. Não troca o alimento espiritual da palavra de Deus por comentários vazios e ocos. Quem é fiel prega o que Deus manda e não o que o ser humano em seu desejo pecaminoso deseja e quer ouvir. Vejo que cada crente precisa defender sua fé e fazer como os irmãos bereanos (de Bereia), que examinavam as Escrituras para confirmarem se o que o Apóstolo Paulo ensinava correspondia com a verdade que liam nas Escrituras (At 17.10-11). É necessário que, individualmente, conheçamos bem a Bíblia, pois conhecendo a verdade jamais nos deixaremos levar por mentiras, enganos ou “ventos de doutrinas”.
5. O que mudou com relação à doutrina e à liturgia na igreja batista goiana nestes setenta anos e em que áreas a mesma estará propensa a mudanças dentro das próximas décadas?
Vale ressaltar que a doutrina não pode mudar, é bíblica, e por isso inegociável. Já a liturgia até pode variar, já que não há modelo bíblico específico para isso. Por exemplo, não sabemos qual era o modelo de liturgia da igreja em Jerusalém, se o culto daquela igreja começava com oração ou com hinos, se muitos ou poucos participavam voluntariamente da oração no culto; não sabemos qual o tempo que gastavam na exposição do sermão, ou se ele era pregado no início, meio ou final do culto; não sabemos ainda se havia corais ou conjuntos musicais, etc. Estas questões litúrgicas, ou de ordem do culto, podem ser administradas por cada igreja, cada pastor. O problema são os exageros, as invenções de coisas estranhas à doutrina, etc. Outra questão é que igreja não é lugar de show, ou espetáculo humano, não é lugar de satisfazer o gosto ou o ego das pessoas, mas sim o gosto do Senhor nosso Deus. Igreja é lugar de oração, adoração e proclamação, instrução do povo de Deus na Palavra. E isso com toda a decência e ordem.
Vejo com preocupação certas mudanças. Mudanças não positivas, mas negativas, defendidas por uma minoria. Segundo a Bíblia, quem promove isso são homens que têm suas mentes queimadas a fogo, falsos mestres. Como bem disse o apóstolo Paulo em 1Timóteo 4.1-2 - “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios. Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência”. E 2 Timóteo 3. 13-14, diz: "Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados. Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido”. Observe também o que diz 2 Pedro 2.1-3: “E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. 2 E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. 3 E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita". E, ainda em Atos 20.29, Paulo diz: “Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho”. Devemos observar que a própria Bíblia nos alerta que lobos cruéis e devoradores surgiriam no seio da igreja, e isto já na época dos apóstolos. Imagine hoje, em nossos dias. Contudo, a Igreja é de Jesus. Ele é o Senhor absoluto da Igreja e certamente velará por ela. Cristo está na direção de sua igreja. Cabe a cada um de nós sermos somente mordomos fiéis, obedientes à sua Palavra.
6. Dados recentes indicam que o Brasil tem cerca de 38 milhões de evangélicos, o equivalente a 20% de sua população. Em agosto de 2011, a imprensa publicou dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) demonstrando um aumento de 14% no número de evangélicos que não se sentem ligados a nenhuma religião. Teólogos mais moderados atribuem o comportamento ao materialismo, individualismo e à influência da mídia. Outros analistas mais críticos, apontam como causa principal as lutas por poder no interior das próprias denominações. Como o senhor se posiciona frente às duas visões e por quê?
Entendo que esta questão é muito ampla, as duas visões ou posições realmente existem e são passíveis de análise. Observe, por um lado, que isto é reflexo de um mundo pós-moderno, materialista, onde as pessoas estão cada vez mais isoladas, mais individualistas, mais egoístas. Por outro lado, vejo que muitos, por perceberem o mundanismo, a ganância e os líderes mercenários no meio das diversas igrejas, se decepcionaram profundamente. Ainda há os “evangélicos” que foram iludidos com promessas de prosperidade, de cura ou outras coisas mais e por se decepcionarem profundamente, tornaram-se mais duros de coração, muitos até mesmo fechados para as boas novas do verdadeiro Evangelho. Estes se autodenominam evangélicos, mas estão longe das igrejas.
Esta triste realidade não deve ser motivo para que as pessoas se enclausurem e afastem das verdadeiras igrejas de Cristo. Há igrejas sérias que pregam e vivem o evangelho genuíno, mesmo que existam, infelizmente, muitos evangélicos somente nominais, como existem em outras denominações cristãos nominais. Entendo que realmente não há como ser servo de Cristo e dizer que ama a Cristo, e não amar o que Jesus Cristo ama, que é a sua igreja. Não concebo amor a Cristo sem o amor à igreja de Cristo. Entendo tal afirmação como uma grande mentira, um grande engano. Quem ama a Cristo ama o que Jesus ama. A igreja é sua noiva (Ap 22.17). A igreja é ainda a união dos salvos. Uma igreja local é formada por um grupo de salvos, regenerados, biblicamente batizados, que professam sua fé em Jesus Cristo. Acredito que, os que não se integram à igreja são pessoas que não foram doutrinadas e discipuladas, e por isso não se interessam de verdade pela causa do mestre; pois estão ausentes do culto coletivo, da ceia do Senhor, do batismo, da comunhão, etc.
Jesus mandou fazer discípulos, mandou batizá-los e ensiná-los. Também mandou que aquele grupo de crentes permanecesse em Jerusalém para que fossem revestidos do poder do Espírito Santo (Atos 1.4,5) e propagassem a o evangelho em todo o mundo (Atos 1.8). Essa é uma tarefa para a igreja toda. Não dá para uma só pessoa ser igreja, igreja é coletividade. Os dons foram dados para benefício da coletividade “para o proveito comum” (1Coríntios 12.7b). A Ceia do Senhor, por exemplo, deve ser celebrada com a igreja reunida: “Porquanto vos ajuntais”, “vos ajuntais na igreja”, "quando vos ajuntais” (1Coríntios11.17b; 18b; 33b). Portanto, não dá para ser evangélico isoladamente. Não foi isso que Jesus ensinou ou desejou para o seu povo.
7. Com relação ao aumento numérico de evangélicos brasileiros, o senhor vê sua convicção bíblica (teoria) e vivência dos princípios do Evangelho, coerentes entre si ou em descompasso? Por quê?
Todos nós nos alegramos e desejamos ver a propagação da pregação do Evangelho. Desejamos ver pessoas salvas, sendo transformadas pela Palavra de Deus, sendo novas criaturas em Cristo. Percebemos de fato crescimento numérico, graças a Deus. Preocupo-me, contudo, com a qualidade de vida cristã demonstrada pelos que professam a fé evangélica em nosso país. Atualmente, parece que é moda alguém dizer que é evangélico ou pertencer a determinada “igreja”. Isso é o que se observa mais facilmente.
8. Como a igreja batista brasileira deverá se comportar neste momento de euforia econômica no País com a inserção de novos segmentos sociais no frenesi do consumo, em um momento em que a consciência ambiental (entendida biblicamente por mordomia) aponta para a direção oposta?
O consumismo desenfreado, a euforia econômica e a ganância por lucros, tornam-se obstáculos para a conservação daquilo que é bom, criado por Deus. Somos chamados a fazer diferença zelando por tudo que é de Deus. O cuidado com a natureza e sua preservação devem ser levados a sério pelo povo de Deus. Devemos dar exemplo, preservando e cuidando, na condição de mordomos fiéis.
9. Que impacto poderia ter a igreja bíblica em uma sociedade que dispõe de uma gama enorme de produtos variados, complexos e atraentes, inclusive no mercado da fé, tendo ela como principal “produto” o plano da salvação: simples, antigo e ainda trazendo, como “efeitos colaterais” renúncia e cruz?
Observe como está o retrato do nosso tempo: Vivemos em uma sociedade onde há grandes transformações sociais, tempos de intensas mudanças de comportamento e costumes, uma época em que as pessoas estão cada vez mais em busca do novo, e daquilo que lhes proporciona prazer imediato. É o retrato do mundo pós-moderno. Vemos uma geração onde grande parte das pessoas vivem sem compromissos com os antigos princípios e valores, uma geração descrente das instituições basilares como a família, a igreja, e o Estado. Vivemos uma época de grande inversão de valores, o que era tido como bom, agora é visto como algo que não tem valor e o que não tinha valor algum, agora está travestido de coisa boa e agradável.
A Bíblia diz em Isaías 5.20: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!”. Esta inversão de valores é maléfica e trará sobre os seus defensores o juízo de Deus – “Ai dos...”. Esta nova geração que surge apresenta ser um grande desafio para a Igreja, tanto no contexto da evangelização como na preservação da sua sã doutrina e da ética cristã. Percebemos, neste contexto, que a igreja que prega o evangelho bíblico e legítimo, a salvação em Cristo, que prega a renúncia, o carregar a cruz, tornou-se praticamente irrelevante aos olhos da sociedade, e apresenta-se até tediosa para muitos.
Esta geração, tem desprezado tudo o que se relaciona com exigência, tal como a necessidade de arrependimento, de perdão, de obediência, de justificação e salvação. Observamos que muitas igrejas por aí, independente da denominação, não possuem compromisso com a pregação da mensagem de salvação. Não pregam mais sobre pecado ou vida eterna. Tal pregação ficou em segundo plano, os cultos viram shows, verdadeiros espetáculos. A igreja vira agência de entretenimento. Neste contexto se dá grande valor às apresentações, às personalidades, às músicas (algumas delas, como já disse, totalmente errôneas quanto à teologia), mas a mensagem bíblica legítima está sendo desprezada, ignorada ou até minimizada.
Entretanto, o evangelho de Jesus sempre foi proclamado em todas as eras, culturas e povos, e por isto não se devemos nos intimidar diante deste novo contexto. O evangelho sempre foi a resposta aos grandes anseios de todos os povos e não deixou de ser. O evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Romanos 1.16). Nestes dias de crises, os pastores, os educadores, os evangelistas, os missionários, os líderes, jamais devem se cansar de ensinar, mesmo diante de corações duros e rebeldes. Eles jamais devem se intimidar. A batalha não é fácil, mas é necessário lembrar que quem convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo é o próprio Espírito Santo (João 16.8). Somos apenas instrumentos em suas mãos para anunciar as boas novas de salvação em Cristo. O papel do verdadeiro crente e da verdadeira igreja, deve ser o de levar a sério a comissão de Cristo. As verdades eternas precisam ser pregadas, e isso é um grande desafio para cada igreja batista, em nossos dias.
10. Estaria a igreja bíblica vulnerável ante a possibilidade de criar novos produtos para os rótulos antigos, rotular como inovação o já conhecido, ou ainda seguir a terceira via: realizar uma “pesquisa de mercado” e procurar atender à demanda?
Há uma grande busca por coisas novas. E, ' fórmulas diversificadas' são apresentadas para o crescimento numérico e imediato das igrejas. Não creio nisso. Jesus já nos ensinou tudo o que é necessário. Muitas igrejas acham que, para atingir melhor seus objetivos, tem que se “disfarçar”. Muitas já não querem ser chamadas de igreja. O culto já não é chamado de culto. Cantam músicas 'animadas' do momento, alegando que é para “sacudir” o povo. E, infelizmente o que se nota é que, muitas vezes, também as letras de algumas dessas músicas, são verdadeiros desastres, do ponto de vista bíblico e teológico.
Outras igrejas, por exemplo, estão fazendo campanhas das “unções”, outro dia vi uma que tinha uma faixa na entrada do templo onde dizia: “Campanha das sete unções”. Onde na Bíblia fala de tantas unções? Isso é uma aberração teológica. Não há nada disso na Bíblia. São invenções humanas e carnais para atraírem adeptos e encherem igrejas durante sete semanas. Vejamos Mateus 22.29: “Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus”. O Espírito Santo é quem convence o pecador. Para crescermos genuinamente como igreja, não é necessário “invenções”. Precisamos apenas obedecer, pregar e viver genuinamente o que aprendemos do evangelho de Jesus. Se formos uma igreja que agrada ao Senhor, ele mesmo acrescentará salvos à Igreja (Atos 2.47b).
11. A imprensa noticia que igrejas nos EUA estão lançando campanhas para que seus fiéis emagreçam. Considerando que a obesidade é uma doença e um problema de Saúde Pública, como o senhor analisa tal posicionamento e até onde a igreja deve assumir a responsabilidade de resolver as mazelas sociais?
Jesus curou a muitos, fez sinais e maravilhas visando chamar a atenção do povo para a chegada do Reino de Deus. Jesus não montou nenhuma tenda de milagres, mas proclamou a salvação às pessoas nas aldeias e cidades por onde passava. Jesus se preocupou primeiramente com a salvação do ser humano, mas creio que também se alegrava com o seu bem estar físico. Assim, não vejo problema algum em que as lideranças das igrejas, ou mesmo pessoas da área de saúde, orientem os membros das igrejas ou pessoas da comunidade sobre como ter uma saúde melhor e viver bem. Afinal, também somos mordomos dos nossos corpos, diante do Senhor. Creio que o Senhor deseja que vivamos bem. E se a igreja pode colaborar para isso, não vejo nenhum mal. A igreja não resolverá todas as mazelas sociais, mas naquilo que puder cooperar, será de grande proveito. Precisamos ser sal e luz neste mundo de trevas.
12. O maior segmento evangélico brasileiro que adota a Teologia da Prosperidade, está construindo o seu maior templo no sudeste do Brasil, seguindo o traçado do templo construído por Salomão. Qual a leitura que o senhor faz do empreendimento em si e também da Teologia da Prosperidade no País?
Vejo a construção deste templo, segundo afirmam: nos moldes daquele de Salomão, como algo totalmente absurdo. Primeiramente porque o templo de Salomão atendia os rituais e as cerimônias do Antigo Testamento referente ao culto judeu. Observando que naquela época havia sacerdotes, sumo-sacerdote, altar para sacrifícios, o lugar santo, o santo dos santos, o átrio das mulheres, dos gentios, dos judeus, etc. O templo de Salomão não possuía um salão para culto como temos hoje nos templos das igrejas com: cadeiras ou bancos, plataforma para púlpito, para o piano, para o coral, etc. O templo possuía os átrios que eram alpendres externos, salas anexas, e no centro, o templo em si, possuía divisões: salão central (Lugar Santo) a parte posterior (o Santo dos Santos ou Lugar Santíssimo). O molde e objetivo da construção era outro. Havia o local do sacrifício, o local do incenso, o local da arca da aliança, etc. O povo não tinha acesso a todos os lugares como nos templos de hoje, somente aos átrios externos; enquanto somente os sacerdotes ou sumo sacerdote tinham acesso ao interior do templo propriamente dito; e o sumo sacerdote ao Santo dos Santos uma vez por ano. Diante disso, vejo esta construção deste segmento evangélico, como um chamariz para atrair peregrinos de todo o país para tal lugar. Um possível local para romaria.
Quanto à Teologia da Prosperidade, a vejo como um engano ao povo. Muitos só querem ouvir coisas positivas referentes à prosperidade, mas nunca saber a fundo o que a bíblia realmente deseja ensinar. Por exemplo, muitos gostam de citar Deuteronômio 28.13, onde se lê: “E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda...”; mas desprezam I Coríntios 4.11-13 onde diz: “somos considerados como o lixo do mundo”. Isso ninguém gosta de ouvir nem mesmo citar. Gostam de citar Filipenses 4.13: “Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece”. Mas não observam o contexto anterior, a que o verso citado faz referência. Em Filipenses 4.12 (verso anterior) Paulo diz: “Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade". Então diz no verso seguinte: “Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece” – (V.13). Por isso digo que tal teologia é um grande engano.
13. O senhor compareceu, pela primeira vez como Presidente da CBG a uma série de reuniões, convocada pela CBB no Rio de Janeiro em meados do mês de agosto de 2011. Quais as deliberações tiradas neste evento específico que podem influir na vida do povo batista do Centro Oeste?
Confesso que estas reuniões do Conselho da Convenção Batista Brasileira me surpreenderam pela espiritualidade e comunhão reinante entre os líderes presentes naqueles dias. Gostei muito. O Conselho da CBB esteve tratando de questões voltadas ao novo planejamento estratégico da CBB. Tal planejamento estratégico foi apresentado na assembléia convencional, em Foz do Iguaçu, em Janeiro deste ano de 2012. Observo também que o novo modelo administrativo, adotado pela CBG a partir do novo estatuto, certamente trouxe e trará grande agilidade quanto ao processo administrativo da CBB e de certa forma isso será positivo a nossa denominação batista. O que é bom para a CBB poderá ser bom também para as convenções; inclusive a nossa, tendo em vista a agilidade e eficiência administrativa que aparentemente se percebe neste novo modelo.
14.Que tipo de igreja batista goiana o senhor vislumbra para as próximas décadas?
O meu sonho é que possamos ser realmente igrejas que vivam a Bíblia. Que cumpra fielmente os ensinos de Jesus, que ame a sua obra. Meu desejo é ver igrejas e líderes mais unidos, mais cooperantes, mais de oração e Bíblia. Desejo ver mais igrejas firmes nos propósitos de Deus, sadias doutrinariamente, que jamais corram atrás de modismos humanos, que jamais se deixem envolver com práticas estranhas à doutrina de Cristo, que sejam firmes na fé e na oração. Sonho em ver mais e mais igrejas fiéis na proclamação do Evangelho, igrejas que sejam generosas em contribuir e investir na obra missionária, que reconheçam e cumpram fielmente a sua missão.
15.Qual a mensagem o senhor deixaria à atual igreja batista em Goiás ?
Primeiramente gostaria de lembrar que fomos eleitos e tomamos posse na presidência da CBG na 67ª Assembléia em Jataí, no mês de Julho 2011, para mandato de dois anos, e temos sentido o grande privilégio e responsabilidade de podermos cooperar na obra de Deus através desta Convenção. Vejo os grandes e inúmeros desafios que temos pela frente. O trabalho é grandioso e árduo; a responsabilidade, os desafios, os sonhos e as esperanças são muitos. Destaco que a unidade do povo de Deus é algo indispensável para que possamos como Igreja e Convenção, atingirmos nossos objetivos na proclamação do Evangelho de Nosso Senhor Jesus.
Devemos notar que Jesus afirmou que a casa dividida não pode prevalecer (Mateus 12.25). Por isso precisamos ser unidos. Jamais devemos nos desanimar, desistir, ou mesmo dar ouvidos a quem deseja somente criticar e nunca contribuir, somando, agindo e apontando soluções práticas. A obra é do Senhor Jesus, e creio que Ele está a nossa frente, dando-nos força, nos conduzindo e direcionando. Temos muitos sonhos para nossa denominação em Goiás. Vemos a necessidade de algumas adequações administrativas para podermos ser mais eficientes. O meu desejo é a excelência na obra. Pois o que devemos fazer para o Senhor, devemos fazer da melhor forma. A excelência na obra é algo fundamental. Entretanto algumas boas mudanças levam tempo, não há como realizar algo grandioso da noite para o dia, ou de qualquer forma. Mas estamos nos esforçando para dar o melhor na obra. Certamente algumas mudanças virão, mas tudo de forma sadia, em seu tempo devido.
Sinto a necessidade de destacar que o trabalho do presidente e da diretoria estatutária eleita é voluntário é não remunerado. Muitos estão pensando que o presidente da CBG ganha salário para exercer suas funções e isso não procede. Fazemos por amor a obra. O máximo que temos é reembolso das despesas a serviço da CBG. Entretanto temos um secretário Geral, que trabalha de tempo integral e vive deste ministério, este sim é remunerado. Temos funcionárioS no escritório que exercem diversas funções, estes também são remunerados. Peço oração por todos nós que estamos envolvidos diretamente com o trabalho denominacional. Também devemos interceder pela nossa Convenção, Seminário, igrejas, congregações, pastores das igrejas, missionários, evangelistas, líderes locais, irmãos em Cristo, etc.
Também desejo lembrar que todos nós batistas, somos frutos da cooperação. As igrejas batistas não nasceram por acaso, nasceram porque um dia foram semeadas, uma a uma. E a importância de tudo isto é que continuemos a ser igrejas multiplicadoras, semeando para dar origens a novas igrejas. Para realizarmos o trabalho missionário, de plantação ou revitalização de igrejas é necessário amor, oração, dedicação e investimento. A obra não é feita sozinha é necessário a participação de cada um de nós, de cada igreja. Jesus nos deu uma grande comissão: “fazei discípulos... batizando-os... ensinando-os...”. Almas precisam ser ganhas e salvas, precisam ser integradas às igrejas e discipuladas para que se multipliquem. Quando como igreja, enviamos o nosso plano cooperativo e ofertas missionárias para a Convenção, estamos investindo na obra missionária em Goiás e no Brasil. Por exemplo, podemos encontrar pastores que tiveram seus estudos sustentados, integral ou parcialmente, pelo fruto da cooperação; missionários são enviados e sustentados através da cooperação; Seminários são mantidos pela cooperação; escritórios denominacionais, juntas missionárias, são mantidos através da cooperação, etc.
Se uma igreja batista isola-se e não participa ou apóia a cooperação, está indiretamente dizendo que não precisa das demais igrejas, e que não está disposta a somar esforços para que a obra de Cristo seja propagada, ou mesmo pensa que pode fazer tudo sozinha. Se cada igreja batista nasceu como fruto da cooperação entre irmãos e igrejas, e se o evangelho chegou até nós, e a nossa família foi graças a Deus e aos missionários que vieram através da prática da cooperação dos nossos irmãos do passado. Pelo menos por gratidão, devemos praticar a cooperação. Vale à pena participar do Plano Cooperativo e das ofertas especiais para missões. Devemos lembrar que recursos humanos e materiais custam dinheiro, e é necessário investimento na obra de Deus.
Participar do Plano Cooperativo é uma questão de ensino, de exemplo, e de amor a Cristo e a sua obra. Portanto, participar do plano cooperativo é um privilégio que temos como igreja. O que temos que fazer em prol do reino devemos fazê-lo agora, pois a obra do Senhor requer urgência. Gostaria de aproveitar esse momento para convidar todas as Igrejas Batistas de nosso Estado para participarem do lançamento oficial da Campanha de Missões Estaduais 2012 que se dará dia 01 de maio de 2012, no ACAMBAGO. A entrada é franca e todos estão convidados a passarem o dia conosco ali. Também quero lembrar a cada Igreja que a Assembléia Anual da Convenção Batista Goiana será dos dias 05 a 08 de Julho no templo da Primeira Igreja Evangélica Batista em Rio Verde. Serão dias inspirativos e de celebração ao nosso Deus. O mensageiro oficial será o Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho. Todos já estão convidados e convocados para este maravilhoso evento.
__________________________________________________________________________________________________
sábado, 6 de agosto de 2011
JUBEG 2011- JUVENTUDE BATISTA DO ESTADO DE GOIÁS-ENTREVISTA
1. Onde e como conheceu o Evangelho?
2. Como chegou à JUBEG e como se tornou seu Presidente?
A JUBEG entrou na minha vida aos 12 anos, quando comecei a participar dos acampamentos de adolescentes realizados pela ADBEG (Adolescentes Batistas do Estado de Goiás). A cada ano, a ADBEG elege adolescentes que representam o pensamento da turma goiana. Estes representantes participam das reuniões de planejamento, dessa forma a Organização pode ouvir a ‘galera’ e ter uma melhor visão das necessidades dos adolescentes. Eu comecei sendo um representante, aos 18 anos. É um bom ‘link’ entre a liderança e as várias igrejas que compõem a ADBEG/JUBEG. Essa minha nova tarefa como representante coincidiu com uma nova visão na minha vida sobre servir a Cristo. Então comecei a intensificar meus pensamentos “fora da caixa”, ou seja, avançava além de minhas preocupações meramente pessoais e me propus a ser voluntário em atividades para a juventude. Participei de vários acampamentos, projetos missionários como o Missão Goyases, congressos e me envolvi com Associações como a ACLAME (Associação Cristão Light de Apoio a Missões e Evangelismo. E, como já vinha acompanhando a JUBEG há anos na condição de voluntário, recentemente aceitei de Deus a missão desafiante de ser seu Presidente. A eleição ocorreu no Congresso Estadual Cristão Light Shock, em abril de 2011. E é assim que vejo a JUBEG, uma organização que serve a Deus atuando com ousadia e responsabilidade no meio da Juventude Batista deste Estado, há décadas. Eu quis fazer parte disto mais de perto. E aqui estou.
3.Quantos são os arrolados e a partir de que idade o jovem pode passar a integrar a Organização?
Segundo a CBG (Convenção Batista Goiana) somos aproximadamente 15 mil batistas em Goiás. Destes, sete mil são jovens, considerando os entre 12 e 35 anos. Nesta eleição, quatro jovens foram eleitos pra servir a JUBEG, sendo como Presidente eu, Fabrício, como Vice-Presidente o Rellison Rachid, como 1º. Secretário, oJean Tavares para 2º. Secretário, o João Paulo. Para integrar a diretoria, o jovem deve ser membro de uma Igreja Batista filiada à Convenção Batista Goiana (CBG) e ter atingido a maior idade, para membros elegíveis. Porém como voluntário não há limite de idade.
4-Quais são os objetivos, metas e propostas atuais da Entidade?
Nosso foco é desenvolver atividades edificantes para os jovens e adolescentes, além de promover treinamentos da liderança para a formação de uma cultura de fortalecimento da juventude das igrejas locais. Percebemos que os líderes estão desanimando devido à falta de reconhecimento, motivação e capacitação. Estamos formando uma coordenadoria específica para elaboração de encontros e treinamento de líderes. Para isso, buscamos o apoio junto à JBB (Juventude Batista Brasileira, antiga JUMOC), JMM (Junta de Missões Mundiais) e JMN (Junta de Missões Nacionais), para formarmos líderes que estejam, além de apaixonados, preparados. Nos próximos anos, queremos estreitar o relacionamento com o jovem batista em todo Estado por meio das lideranças locais. Estaremos revendo as formas de comunicação com esse jovem e abrindo canais para que ele seja ouvido, possa dar suas opiniões, falar sobre suas inquietações e interferir positivamente no crescimento da JUBEG. Queremos também que ele tenha acesso rápido e direto a conteúdos, relacionamentos e formação de boa qualidade.
5-Qual o nível de relacionamento que sente existir entre a JUBEG e outras Organizações denominacionais como: UFMB, UHB, OPB, etc.?
Temos um bom relacionamento interpessoal. Porém, no que diz respeito à nossa articulação, sinto que estamos trabalhando de forma muito independente e isolada. Podemos melhorar esse relacionamento. Percebi que tais Organizações estão sendo lideradas por pessoas jovens, o que demonstra o quanto o jovem tem ocupado um papel mais forte na nossa denominação em Goiás.
6-Que tipo de apoio a JUBEG espera das igrejas?
Esperamos que as Igrejas, como organismos vivos, estejam abertas a se envolverem nos projetos que a JUBEG tem proposto para a juventude Batista em Goiás. Pastores e líderes devem estar mais perto dos jovens de suas comunidades (igrejas); devem buscar entender a dinâmica de seu pensamento. Também precisam pesquisar e considerar quais são os valores que as novas gerações trazem consigo e como elas se vêem e se encaixam de maneiras próprias neste corpo que é a igreja. A JUBEG quer ajudar nisso, dialogando com pastores, líderes e, principalmente, com o indivíduo jovem.
7-Que colaboração a JUBEG pode oferecer às igrejas do Estado?
Ao longo da sua história, a JUBEG sempre manteve uma visão atual, audaciosa, brava e bíblica. O maior legado da JUBEG é ter feito do seu slogan uma verdade: “Jovens Capacitados para Servir”. Hoje, líderes do passado são pastores em nossas igrejas, porque serviram em sua juventude. Penso que a maior colaboração da JUBEG é criar um espaço de manifestação do pensamento jovem para que a nossa juventude continue se sentido parte de uma Igreja Histórica, que se mantém firme na defesa de seus propósitos, sem perder a visão doutrinária e, principalmente bíblica, dos valores eternos do Reino.
8-Que perspectivas tem o jovem batista goiano, numa realidade onde idéias morais ‘libertárias’ circulam livremente, e doutrinas não bíblicas proliferam com promessas de atender aos anseios da juventude?
Primeiramente, os jovens Batistas são esta igreja porque gostam. Digo são, porque igreja somos nós. Hoje não existe nada que os impeça de migrarem para qualquer outra denominação e apesar disto, são centenas de jovens firmes em nossas igrejas, concordando com nossa doutrina e sistema. Contudo, eles estão insatisfeitos com a comunicação entre a juventude e o restante do corpo da igreja. São muitos os jovens que me procuram para reclamar que não recebem apoio de seus pastores. A solução é nítida: o que eles precisam não é de uma igreja que os deixe fazer o que quiserem, mas que os ouça, que gaste tempo e recursos, que seja líder, que viva junto a eles, que compartilhe uma garrafa de coca-cola acompanhada de risadas. A partir desta proximidade de relacionamento, o conjunto estará apto e preparado para discutir valores morais, sexuais, financeiros, doutrinários e outros.
9-Em sua concepção, baseada no conhecimento sobre a juventude batista goiana atual, qual o perfil da igreja batista goiana daqui a dez anos?
Entre os cerca de 15 mil batistas em Goiás, sete mil são jovens, segundo dados da Convenção Batista Goiana. E o que tenho notado é um anseio da juventude por ser uma igreja mais humana, mais solidária, mais acolhedora. Com uma liturgia mais atual e brasileira. Ainda estamos engatinhando neste sentido. Acompanho esta discussão em outros Estados e é impossível não notar que o debate da Teologia da Missão Integral, ou de uma igreja que deixa a sua marca na sociedade, já ganhou mais força fora dos limites de Goiás. É um movimento vindo da juventude. Goiás ainda está meio sonolento neste sentido, mas vejo que aqui também, essas questões vão se fortalecer. Assim, vejo o jovem assumindo seu papel à frente da EBD (Escola Bíblica Dominical), liderando projetos evangelísticos, gerindo ministérios de música, teatro, mídia, comunicação, finanças, entre outros. Em 10 anos, teremos uma grande renovação da liderança e uma mudança de liturgia. Mas com visão doutrinária forte e relevante.
10-Agosto é o mês da juventude batista. Neste ano de 2011, que mensagem deixaria aos jovens da denominação em Goiás e no Brasil?
Este é um mês muito especial para nós, jovens. É um momento no qual a igreja pode perceber como estamos caminhando, como estamos pensando. Desejo que cada jovem e que cada Organização aceite o desafio de sair de seu conforto, das paredes que acolhem as reuniões da igreja e busquem deixar a sua marca aonde quer que vá. Com criatividade, amor e dedicação. Peço aos jovens batistas deste país que mandem um recado direto para a sociedade: O amor de Deus é a nossa saída.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
PR.EDIMAR GUIMARÃES (ENTREVISTA)
Carmelita Graciana
___________________________________________
Como o senhor e sua esposa foram alcançados pelo Evangelho?
Pr. Edimar Guimarães- Eu fui alcançado pelo Evangelho através de uma Cruzada Evangelística promovida pela Associação Leopoldinense de Igrejas Batistas, no Rio de Janeiro. Estavam pregando o Pr. Fanini e o cantor José Tostes. Eu tinha apenas 11 anos de idade, era Embaixador do Rei e trabalhava como introdutor na referida cruzada. Meu nome não foi anotado, não recebi aconselhamento, mas estava seguro da decisão. Procurei o meu pastor, Almir Ribeiro, que me deu total assistência. As lições que tirei daquela experiência, foram: não subestimar a decisão de uma criança; e outra é que, nunca podemos mensurar todo o alcance de um trabalho de evangelismo. Já, Vanusa, freqüentava a Igreja Batista em Barra do Imbuí, Teresópolis, onde participava da EBD, da Sociedade de Crianças e da Organização Mensageiras do Rei. Através dessa Organização teve sua experiência de conversão e chamada para Missões. Após o que, foi batizada pelo Pr. Francisco de Assis Cabral, aos nove anos de idade.
Como ocorreu a chamada missionária à família?
Pr. Edimar Guimarães-O meu chamado ocorreu num culto de quarta-feira. Eu tinha 14 anos naquela época, Chovia muito e estava frio. Pouca gente foi à igreja naquele dia. O Pr. Waldemiro Tymchak era o pregador, ele ainda não tinha se tornado tão famoso. A mensagem daquela noite tocou profundamente em meu coração e alma. De tal maneira, que nunca mais pude esquecer ou fugir daquele chamado. Nas reuniões, nos congressos, nos acampamentos, Vanusa sempre sentia desafiada para aceitar o “Ide de Jesus”. Foi na Organização Mensageiras do Rei que ela teve a confirmação de sua chamada para Missões. Desafiada pela mensagem do Pr. Waldemiro Tymchak, em um acampamento das Mensageiras em Rio Bonito- RJ, ela atendeu ao apelo missionário indo à frente. Desde então, cumpriu todos os passos na Organização, sempre pensando em Missões. Entendeu ser importante ingressar no Instituto Batista de Educação Religiosa (IBER), onde fez o curso de Formação de Professores e também o de Educação Religiosa.
Quando ingressaram na Junta de Missões Mundiais?
Pr. Edimar Guimarães- Aos 21anos de idade eu havia acabado de ser ordenado ao ministério pastoral e fui convidado para trabalhar na JMM como redator das publicações da junta. Estaria trabalhando ao lado da pessoa que Deus usou no chamado missionário. Foi uma experiência fantástica. Logo depois compartilhei como Pr. Waldemiro minha intenção de ir ao campo missionário. Naquele tempo havia a exigência de pelo menos dois anos de ministério para tornar-se missionário. Assim, deixei a função de redator na JMM e ingressei no ministério na PIB de Valença/RJ, que era, de fato, um trabalho e experiência missionária. Apresentei-me à Junta por três vezes ao longo de 15 anos de ministério. Na assembléia da Convenção Batista Brasileira, em Recife, no inicio do ano de 2002 eu e minha esposa combinamos de nos apresentarmos pela terceira e última vez à JMM. Antes que isso acontecesse, dois meses depois, recebemos em nossa igreja a visita do missionário Pr. Francisco Nicodemos Sanches, da África do Sul. Depois dos trabalhos na igreja, conversamos e ele disse que tinha vindo de África especialmente para falar comigo. Perguntou se eu tinha um chamado missionário. Respondi que sim, há muitos anos. E ele disse que, embora não nos conhecêssemos, ele sabia a meu respeito e Deus havia colocado em seu coração que ele deveria me procurar, pois eu deveria ser missionário na África do Sul. Ele entendia que era uma visão da parte de Deus. Convidou-me para pregar uma série de conferências em sua igreja em Johannesburg, com o objetivo de conhecer o campo missionário. Fiquei um mês e pude conhecer além de África do Sul, Botswana e Moçambique. Logo após uma viagem missionária à África, que fiz com recursos próprios, me apresentei à Junta pela terceira vez. Somente desta vez a JMM considerou o meu envio. Segui para o campo em janeiro de 2005, depois de passar um ano no CIEM, fazendo o curso de Pós-graduação em Formação Missionária.
Como foi a escolha do Campo?
Pr. Edimar Guimarães -Nós não escolhemos o nosso campo. De fato, entendo que o nosso campo nos escolheu. Ao me apresentar à JMM informando que havia recebido o convite da Igreja Batista de La Rochele para suceder ao missionário, Pr. Sanches, que estava se aposentando. O Pr. Tymchak disse que África do Sul não receberia mais missionários da JMM. Perguntou-me, então, se eu aceitaria ir para Namíbia. Prontamente disse que aceitaria se o Pr. Tymchak entendia que era essa a melhor opção. Mas a Convenção Batista da Namíbia experimentou uma mudança radical em sua liderança e rompeu com a JMM. Desse modo, não seria mais possível o envio de missionários. A opção apresentada a seguir foi Zimbabwe, que já estava vivendo uma situação de verdadeiro caos, nas mãos do ditador Robert Mugabe. Eu iria para substituir o missionário que estava lá. Esperamos cerca de oito meses pelos nossos vistos, o governo estava dificultando a entrada de missionários e outros profissionais estrangeiros.
Foi enquanto vivíamos essa circunstância que recebi o telefonema do Pr. Ronald Rutter, ex-missionário no Zimbabwe na África do Sul. Ele disse: “Sei das dificuldades que estão enfrentando. Poderia enviar uma carta, ou passar um e-mail, mas o que tenho para dizer é tão grave que preferi pagar a conta e ligar pra você. Deus tocou no meu coração para dizer ao irmão que visite Welkom, aí em África do Sul. Eu trabalhei lá e sei que até hoje nenhum outro missionário foi enviado para o meu lugar. Eles estão clamando por alguém que seja enviado para trabalhar com eles”.
Visitei Welkom, mesmo sem “ordens superiores”, os chefes estavam em viagem na Europa. O Pr. Rutter, no Brasil e o seu filho Reinaldo aqui em África do Sul, por telefone já haviam feito uma agenda de contatos para mim em Welkom. Preguei na Mina Beatrix, havia apenas cinco homens naquela reunião. Ao fim dos trabalhos o dirigente falou: “O Pr. Rutter foi para nós muito mais que um pastor. Ele era o nosso mestre, o nosso “velho”, nosso pai, conselheiro e amigo. Qualquer pessoa que vem recomendada por ele será bem vinda entre nós, o irmão deve ficar aqui”. No mesmo dia, estive com o vice-presidente da Igreja Batista Inglesa – Savvas Balios. Ele colocou à minha disposição a casa pastoral e até o ministério da igreja, que estava sem pastor. Eu lhe disse: “Mas o irmão não me conhece”. Ele respondeu: “Mas eu conheço o missionário brasileiro, Pr. Ronald Rutter e foi ele quem encaminhou o irmão. Isso basta para mim!” Um mês depois a JMM me liberou para trabalhar em Welkom – África do Sul. Portanto, eu estava sendo confirmado para África do Sul, o país que primeiro havia aparecido em nossa agenda quando o Pr. Sanches nos visitou e expôs a sua visão celestial. Desse modo, dois anos depois de nos desviarmos do caminho, Deus nos trouxe de volta a sua rota. O “senhor Missões” (Waldemiro Tymchak) rendeu-se ao Senhor de Missões (Deus). As portas que estavam abertas (Namíbia, Zimbabwe e até Botswana) foram fechadas e a que estava fechada, segundo a visão da junta, naquele momento (África do Sul), Deus abriu. O importante é que cada coração procurou se submeter à direção divina. Aí tudo deu certo. “Não é por força, nem por violência, mas pelo Espírito”. Não tenho dúvida de que é o Espírito Santo de Deus quem conduz a obra de missões no mundo.
Quais as principais características do trabalho em África, em sua região?
Pr. Edimar Guimarães - Trabalho com imigrantes Moçambicanos no Instituto Bíblico Welkom, que fundamos logo após a nossa chegada, é o povo da etnia Shangana. Eles são operários nas minas de ouro de Welkom. Esse mesmo povo, em sua terra não tem se mostrado um povo muito fácil para se trabalhar, segundo o testemunho de dezenas de missionários de diferentes denominações. Contudo, o shangana, imigrante em terras sul africanas, vem para trabalhar e ganhar dinheiro. Aprende na mina com os holandeses e ingleses, os donos do negócio, a disciplina, a ordem, o respeito às autoridades e compromisso. De tal modo, que se tornam exemplo de trabalho e honestidade para os nativos sul-africanos. Eles adotam um comportamento tão diferente do habitual, do meio em que viviam originalmente, que se tornam exemplos também para os seus conterrâneos. Assim, também se tornam uma “matéria prima” fantástica no que diz respeito à formação de líderes no Instituto Bíblico Welkom. Todo professor que vem nos visitar sai tremendamente impressionado com a disciplina, o interesse e o comportamento dos alunos. Eles serão, sem dúvida, grandes líderes em suas igrejas quando retornarem para Moçambique. Alguns já manifestaram seu chamado missionário em alguns de nossos cultos e esperam apenas terminar os estudos para voltar ao seu povo e pregar o Evangelho.
Como apresentar Deus em meio à miséria e aos altíssimos índices de AIDS?
Pr. Edimar Guimarães -A verdade é que, nenhum homem, em lugar algum do mundo, está bem sem Jesus. Todos precisam conhecer, receber e se entregar a Jesus. Temos pregado o Evangelho para as pessoas simples, operários nas minas. Para refugiados nos Squater Camps (Campos de Refugiados), setores da sociedade sul africana que mais sofrem com a miséria e a AIDS. Mas, ontem à noite recebi um telefone de um dos homens mais poderosos da cidade, o diretor geral de uma das minas de Welkom. Algo absolutamente incomum, ele me procurou às 7 horas da noite, marcou um encontro no centro da cidade. Disse que precisava conversar comigo com a máxima urgência. Ele disse em meio a lágrimas que sofria porque durante toda a sua vida ele fugiu de Deus. Ele estava reconhecendo que embora tivesse tudo que o dinheiro e o poder podem dar, ele precisava de Jesus em sua vida. Nós tivemos apenas um encontro em seu escritório há quase três anos, eu deixei o meu cartão, ele guardou e no momento certo ele me procurou. A AIDS e a miséria são um grande desafio, não resta dúvida, mas, lembro-me do texto de Eclesiastes 7:4 – “O coração dos sábios está na casa do luto, mas o coração dos tolos na casa da alegria”. É exatamente nesse contexto que temos tido grandes experiências. O povo sofrido de África é também o povo receptivo ao Evangelho e ao trabalho missionário. Eles tanto recebem carinho e amor como também sabem retribuir na mesma moeda. Muitas vezes vamos compartilhar o nosso amor com as crianças na creche Morning Star, para crianças vítimas da AIDS ou mesmo na Escola Dunamis e somos alvos de manifestações de carinho ainda maiores do que as nossas.
O salário de uma família missionária do Brasil garante o atendimento às necessidades básicas da mesma?
Pr. Edimar Guimarães -O missionário não tem uma vida com orçamento folgado. É uma remuneração que lhe permite ter uma vida digna dentro da realidade do país. Pelo menos é esse o objetivo da Junta. De modo geral podemos dizer: atende às necessidades básicas.
Quais os maiores desafios do Campo?
Pr. Edimar Guimarães- A língua pode ser um dos mais importantes desafios no campo. As diferenças culturais também o são. Aqui, lidamos com dois modelos bem distintos de Igrejas: o modelo africano e o modelo europeu. São duas realidades distintas entre si e distintas também com relação ao modelo da Igreja brasileira. Outro desafio, talvez o mais forte no nosso caso, é a saudade do nosso povo, da família, da igreja de origem. São grandes desafios para os quais contamos com a graça e a misericórdia de Deus.
Há perspectivas familiares como missionários?
Pr. Edimar Guimarães- Penso que é no campo missionário que a família se torna ainda mais forte. Dependemos muito mais uns dos outros. Convivemos muito mais. Pelo fato de estarmos em outro país, precisamos dar uma atenção especial para as crianças. Isso faz com que nos aproximemos ainda mais como família. No campo, a família se torna o nosso círculo de amizade mais presente.
Qual a mensagem que o senhor deixaria aqui sobre Missões?
Pr. Edimar Guimarães- Nosso desejo é que a igreja continue avançando sobre os desafios missionários em Goiânia, no Brasil e no mundo. Como muito bem dizia Oswald Smith: “O farol que brilha mais distante é aquele que brilha forte no lugar em que está plantado”.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
A FAMÍLIA E A VONTADE DE DEUS - PR. FERNANDO LEITE
Pr. Fernando Leite- A primeira família da Terra não. Ela serve para uma compreensão daquilo que foi planejado e proposto por Deus. Em Gênesis capítulo 1, apartir do verso 26 e Gênesis capítulo 2, nós vamos perceber quais eram os ideais de Deus para a família. Dentro desse projeto da primeira família a gente identifica princípios que valem para a família de hoje, entretanto, Gênesis capítulo 3 relata a queda e conseqüentemente o fiasco da família. Nós não vemos na conduta da família daqueles dias qualquer coisa que devesse ser reproduzida. Ela foi projetada para o melhor, mas escolheu o pior. Mas no capítulo 3, do mesmo livro, existe uma promessa objetiva de que Deus enviaria o resgatador e foi no contexto da família, filho de uma mulher, que nasceu o Messias.
Pr. Fernando Leite- Neste momento não consigo me recordar de muitas coisas positivas na vida familiar deles. As Escrituras chegam a relatar alguma coisa, por exemplo, em I Pedro no capítulo 3 que fala do exemplo de Sara, da maneira como ela tratou seu marido, mas eu diria que, em geral, eu vejo na vida dos patriarcas, no campo do relacionamento conjugal, primeiramente um padrão cultural muito diferente do nosso e em segundo lugar, uma característica das Escrituras, que trata muito do fiasco, do fracasso que eles foram. Então, apresenta exemplos negativos que podem estar presentes na vida de homens de Deus. Abraão mentiu expondo a segurança de sua esposa. É um exemplo para ser evitado. Ele não foi elogiado por tal coisa. Eu diria a você que não encontro muitos aspectos positivos na conduta familiar de Abraão, ou de Isaque ou de Jacó. Nós vamos encontrar mais orientações sobre o relacionamento conjugal no Novo Testamento.
Pr. Fernando Leite-No primeiro dia do Congresso, eu disse que a santidade não é uma característica específica. Santidade é como se fosse um guarda-chuva que contempla as demais características. Quando as Escrituras falam de santidade no contexto, no ambiente da família, isso significa que tal família deve ter padrões, estilo de vida, conduta, diferenciados dos padrões do mundo. A santidade é, portanto, quando o meu jeito de ser, de viver, de tratar e de relacionar deixa de ser o da sociedade e passa a ser de acordo com os padrões de Deus. Esse Deus que me salvou tem princípios que também devem estar presentes no relacionamento conjugal. A santidade se relaciona com família justamente neste aspecto, quando esta família não segue os padrões da sociedade e, para tal família, as orientações de Deus são claras.
Pr. Fernando Leite- Eu acho que é um perigo as pessoas pregarem só suas experiências de sucesso. A gente comunica a mentira de que a nossa vida é só sucesso e a gente comunica outra mentira, a de que os princípios de Deus são só para os bem sucedidos. Na verdade, todos nós, sem nenhuma exceção, somos pecadores miseráveis, que dependemos da graça e da sabedoria e do poder do alto para sermos alguma coisa. Todo mundo está nesta condição. Eu diria que qualquer pregador que “pinte” um auto-retrato triunfalista se divorcia da verdade. Precisamos ser muito claros em expressar que a glória não é pessoal, a glória é da graça, da misericórdia, da compaixão e da sabedoria que vêm de Deus. Eu não sou o sucesso. O sucesso é o que Deus é capaz de fazer em nossas vidas. A identificação com o povo, além de ser um ato de sinceridade é a maneira de comunicar a todas as pessoas que o Evangelho é, como de fato é, para as pessoas comuns, como eu sou. Aliás isso não é um artifício de comunicação, é uma retratação de realidade. Por isso eu sou contra a idéia de se pregar uma mensagem triunfalista. Tenho sucessos e fracassos em minha vida pessoal, em minha vida conjugal e em minha vida ministerial. Isso é parte de nós. Isso é parte de qualquer um.
Pr. Fernando Leite- É. Fico contente de que eu terei que responder diante de Deus só por mim mesmo.
Pr. Fernando Leite- Eu não diria que a gente deve viver na contramão da História, mas que o mundo não serve de referência para nós, nem naquilo que devemos fazer nem no que devemos deixar de fazer. Quem é referência para nós é Deus e a sua Palavra. Eu diria que deveríamos ser o povo que escreve a História, como sal e como luz. Se em minha vida pessoal e familiar eu vivo os princípios de Deus, eu dou valor às Escrituras, à revelação e pela graça e pelo poder de Deus eu manifesto isso, na minha conduta e na minha palavra. Assim, eu acabo afetando o meu vizinho e o meu colega, que se torna desejoso de conhecer mais este Deus, de sua graça e de sua orientação. Assim, eu quero ser parte dos que escrevem a História, a História de Deus que transforma vidas.
Pr. Fernando Leite-Quando Paulo escreveu em Romanos, capítulo I, ele falou sobre o processo de decadência da sociedade, ele chega ao último estágio e afirma que, por conta da rebeldia e da glorificação que o homem deu ao próprio homem, em vez de a Deus, Deus nos deixou chegar ao que é mais reprovável. A nossa sociedade está retratada pelo Senhor Jesus Cristo, quando afirma: ‘o mundo inteiro jaz no maligno’. Está longe do Senhor, cada vez mais rebelde, violenta, imoral e corrupta e cada vez pior, como um reflexo do rompimento com Deus. A sociedade humana, no campo moral, tem ciclos de melhora e de piora. Há momentos em que ela tem mais tolerância com uma conduta perversa e assimila mais, mas em outro momento, ela mesma se cansa, se enoja e se volta para alguns valores, por não agüentar mais seu próprio estado de caos. Nós estamos vivendo no Brasil, um processo de decadência tremenda, com o liberalismo em todos os níveis. Enquanto nós estivermos nesta ‘ladeira abaixo’ , longe dos princípios de Deus, nós vamos ver cada vez mais nossa sociedade podre, fétida e carente da misericórdia do Senhor. As Escrituras revelam que esse movimento liberal, de queda moral tão violenta, pelo rompimento com Deus, colherá os seus frutos.
Pr. Fernando Leite-Vida com Deus e testemunho diante do povo. É a única transformação genuína. Não existe Lei. Não existe policiamento. O que existe é um povo sendo unção. Entendo como válido ainda, o conceito de sal empregado nos tempos antigos: uma pedrinha que pastores que trabalhavam no campo chupavam com dois propósitos: primeiro, o de sentirem sede para beberem água e não entrarem no processo de desidratação e segundo, estimular a retenção de líquido no corpo. A Igreja precisa estar tão comprometida com Deus, viver tão dentro de sua vontade, ao ponto de provocar nesta sociedade onde está inserida, sede por conhecer mais a vontade dele. Não tem outro caminho.
Pr. Fernando Leite- É o que o Senhor Jesus disse sobre a necessidade de pregarmos a Palavra de Deus e segundo Paulo, quer aceita quer não. Nosso compromisso é entregarmos sua mensagem, não nos amoldarmos. Não podemos ceder. Temos de manter a verdade. A verdade permanece. Se cedermos estamos sendo infiéis a Deus.
Pr. Fernando Leite- Eu acho que a Igreja já a vem construindo. Sempre que adota uma conduta diferente da sociedade onde está inserida, no meio da massa onde deve salgar. Não pode estar à parte, mas no meio, influenciando. De certa forma nos assusta o nível de imoralidade em nossos dias, mas com segurança, nos dias do apóstolo Paulo, no ambiente pagão, a imoralidade era muito maior do que é hoje no nosso Brasil. Houve uma igreja na cidade de Éfeso e outra na de Corinto onde a promiscuidade nos relacionamentos, tanto entre mulher e homem, quanto homosexuais, foram mais intensos do que aqui, ao ponto de Paulo dizer em I Coríntios capítulo 6, versos 10 e 11: “Tais fostes alguns de vós, mas foram regenerados, lavados, santificados”. Deus salva pessoas nestas condições.
Pr. Fernando Leite-Não creio numa outra alternativa que não seja a graça de Deus e a salvação. Há dois anos estive no Rio de Janeiro com um juiz e havia tiroteios em algumas regiões da cidade, não tão violentos como os de hoje, mas já existiam. Então perguntei a ele quando é que tal violência iria acabar e ele me respondeu: “Eu esperava que você, como homem de Deus, me dissesse qual será o fim desta história”. Eu sei que ainda não chegamos ao final, mas tenho certeza de que esta sociedade não passará por qualquer mudança por decisão governamental ou de qualquer instituição. Ela só vai mudar, se efetivamente, as pessoas nela inseridas, tiverem uma experiência genuína com Deus. Tal como um sociólogo inglês disse, recentemente: “O único caminho seguro para alguém sair do tráfico de drogas é pela conversão ao Senhor Jesus Cristo”. Esta é a resposta. Sempre foi e sempre será.
Pr. Fernando Leite- Eu acho que vai variar bastante quando a gente pensa em ocidente se considerarmos ainda alguns conceitos e a situação econômica e cultural. A situação da família na Espanha, por exemplo, é bem diferente da família na Itália hoje.
Pr. Fernando Leite-Eu creio que esta é, de uma forma geral, uma família muito machista. Algumas vezes, até no meio evangélico há uma suposta defesa de seu machismo. Eu vejo uma família que conhece pouco dos princípios de Deus, isso no contexto da Igreja. Fora dela, menos ainda. Uma família frustrada. Na cidade de onde eu venho, mais de um terço dos casamentos são dissolvidos no primeiro ano de casados. Essa visão ímpia de viver à parte de Deus tem sido reproduzida no âmbito da família. Estou abismado, abismado sobre o quanto o divórcio é comum hoje. Deus tratou dele. A família se encontra num caos, porque o homem dentro dela, se encontra no caos.
Pr. Fernando Leite- Acho que os salmos 127 e 128 são uma base para isso. Como é feliz o homem que teme ao Senhor! O texto fala da relação deste homem com sua esposa, com seus filhos, depois da emancipação de seus filhos e a bênção que estes acabam sendo para a sua cidade e para seu país, no caso para Sião, Jerusalém e Israel. O início da transformação de uma família começa no temor do Senhor. Isso significa levar Deus a sério. A pessoa busca nesse Deus conhecimento de como tratar, como administrar e como se conduzir em família. E, na medida em que busca a Deus, aquilo que não tem em si mesmo e começa a colocar em prática as suas recomendações, esta pessoa está investindo para que sua família seja feliz. É lógico que, quando os dois cônjuges se dispõem a fazer isso conjuntamente, empreende-se muito mais velocidade e potencialidade para se alcançar o ideal de felicidade familiar. Porém, não poucas vezes eu tenho visto apenas um começar uma jornada solitária de busca de Deus e, mesmo que ao longo do tempo, a maior parte deles, têm conseguido transformar positivamente suas famílias. Assim, tudo começa no temor do Senhor, no levar Deus a sério, sua visão, suas considerações e sua instrução, reveladas nas Escrituras. Podemos dispor também de literatura e aprender com outros homens, que têm estudado princípios que devem reger o relacionamento familiar e então, colocá-los em prática pela graça de Deus. A solução para a família está, portanto, em pôr a vida dentro da vontade boa, perfeita e agradável de Deus.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
ÂNGELA VILLA VERDE
Carmelita Graciana
“Somos uma sociedade dirigida para o prazer, que nega o sofrimento e a morte. Mas a morte, assim como a doença e o sofrimento, são integrantes da condição humana”.
A psicóloga Ângela Maria Monteiro Villa Verde é natural de Laguna (SC), mãe de dois filhos: Clarissa (28) e Rafael (25), é especializada em Gestalt–Terapia pelo Instituto de Treinamento e Pesquisa em Gestalt- Terapia de Goiânia e atua como Psicoterapeuta na PsicoCenter Consultoria e Assessoria em Recursos Humanos.
1- O tema morte é tabu na sociedade ocidental. A que atribuem os estudiosos a fuga a tal discussão?
Realmente é tabu, e tabu é qualquer assunto inaceitável ou proibido em uma determinada sociedade. Embora a morte seja um tema banido da comunicação entre as pessoas, esta se faz cada vez mais presente na vida, quer seja pela experiência direta no cotidiano, pelo número significativo de acidentes e atos de violência, quer seja através da retratação nos órgãos de comunicação. A sociedade atual afasta a morte por ser hedonista e buscar sempre o prazer. Essa busca é responsável pela negação do sofrimento, da dor e da morte, mas tanto a morte como a doença e o sofrimento são integrantes da condição humana. Nossa sociedade atual não está muito inclinada a considerar esses fenômenos, sente-se mais atraída pela beleza, pelo aspecto saudável e jovem do existir.
2- Você acha que tal resistência vem de fora do homem, como das idéias capitalistas de acumulação, ou é algo intrínseco a ele, estimulado por seus medos ou expectativas?
É algo intrínseco a ele. Esta resistência é sustentada pelo medo. Nossa sociedade consumista é o reflexo deste homem que não pode pactuar com a morte. Quem pensa na morte não procura comprar nem capitalizar.
3- Por que o ser humano foge tanto da idéia de sua finitude?
Sempre que o ser humano se depara com uma situação que desperta medo, tende a fugir. O homem não foge só porque tem medo, mas também para livrar-se do sentimento de medo. Ele se percebe totalmente impotente diante da inexorabilidade da morte e teme. Quando pensamos na morte, geralmente pensamos na morte do outro. Nós nunca nos colocamos na posição de que somos suscetíveis à morte. Nem no dia de ‘finados’ as pessoas lembram da morte. Lembramos com saudade, do pai, da mãe e de outros. Em nossa concepção íntima , os outros morrem. Falta ao homem encarar a sua própria morte.
4- Em sua visão, como psicóloga cristã, como se deve proceder ao falar de morte para os filhos, especialmente quando são crianças?
Devemos tratar o tema da morte com os filhos de maneira sensível, para que eles possam encará-la com naturalidade. A notícia da morte, entretanto, deve ser dada de forma direta, utilizando a palavra morte e informando-lhes de que se trata de um acontecimento irreversível. Mesmo crianças pequenas devem participar do luto da família, para não se sentirem excluídas ou culpadas pela morte. Não podemos evitar essa dor, por mais que queiramos. A expressão da tristeza na frente da criança, como o chorar é uma forma de dizer que ela também pode chorar, expressar seus sentimentos. Devemos incentivá-la a dizer o que sente e esclarecer suas dúvidas. Não banalizando, nem negligenciando a profunda dor e a tristeza pelas quais passamos com a “perda” de alguém querido. Mesmo porque até Jesus chorou quando se aproximou do túmulo do seu amigo Lázaro, demonstrou -se comovido com a tristeza dos familiares (João 11.1-35). O conceito cristão da morte é imensamente mais rico e consolador. A morte para o cristão é o momento de estar com Deus, é o encontro do filho com o Pai, do descansar em seus braços. Nós somos convocados pela Palavra de Deus a buscar conhecimento em relação àqueles que morrem. “Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança.” (I Tessalonicenses 4.13).
*
terça-feira, 23 de junho de 2009
ENTREVISTA - SÔNIA THOMAZ
| Sônia Maria Tomaz- missionária batista na Romênia |
Onde e como a senhora se converteu ao Evangelho?Com a minha família, que era católica radical. Minha mãe fazia imagens de escultura para a igreja, ajudava muito aos padres de um convento próximo de onde morávamos e nossa casa tornou-se um ponto de apoio aos padres estrangeiros que ali chegavam, principalmente holandeses e espanhóis. Meu pai era o presidente da organização chamada Coração de Maria. Então, as palavras crente e conversão eram proibidas no ambiente do meu lar. Minha mãe, frustrou-se com a Igreja Católica em razão de um trabalho que realizara para a mesma. Sua liderança pedia aos fiéis altas doações em dinheiro para, supostamente, cobrir os custos daquele trabalho, quando mamãe o fizera voluntária e gratuitamente.
Isso mexeu com o coração dela que passou a questionar “outras verdades” católicas apregoadas, passando a comparar tais ensinos com os ensinamentos da Bíblia. Ela, certa vez, foi aconselhar-se com um padre local na tentativa de compreender tais diferenças, e este, por sua vez, na ânsia por livrar-se do ‘ incômodo´, respondeu-lhe: ‘Leia a Bíblia e ache a senhora mesma as respostas às suas perguntas’. Agravou-se o conflito no âmbito doméstico porque o marido, meu pai, mantinha suas convicções religiosas. Porém com o tempo, ele também veio a se converter. Minha mãe, por sua vez, passou a convidar as pessoas próximas para uma encenação que promovia em nossa casa representando as parábolas de Jesus. O palco era nossa mesa de refeições, os atores nós, as seis crianças, entre as quais eu era a menor. Mamãe confeccionava os figurinos, nos ensaiava e também convidava a vizinhança para o teatro, todas as noites. Sabíamos que tínhamos uma responsabilidade para com nossos vizinhos, diariamente. E isso fez surgir uma igreja que ainda hoje existe naquele lugar.Quando e onde se deu a sua chamada missionária?Quando eu era adolescente e estava num acampamento, senti que Deus estava me chamando, mas não fiz uma decisão pública. Guardei em meu coração tal convicção e passei a imaginar coisas diferentes, que incluiam meus sonhos de juventude e uma carreira profissional ao trabalho como missionária. Eu tinha outros desejos como o de estudar Engenharia Eletrônica. Fiz o CEFET, fiz Eletrônica, fiz Engenharia de Alimentos. Tinha pela frente um futuro profissional promissor, participei de uma equipe de pesquisadores em São Paulo, onde poderia ter seguido um caminho financeiramente bastante convidativo. Sabia, contudo, que Deus tinha me chamado para missões e eu teria que optar por um ou por outro. Hoje compreendo. No leste europeu, a imagem do brasileiro está associada ao atraso e ao analfabetismo. Quando descobrem que temos um pouco de conhecimento e uma formação acadêmica respeitável, permitem nosso ingresso naquela sociedade. Deste modo, mesmo o conhecimento que refutaria não proveitoso para o trabalho missionário, é muito útil. E Deus o sabia, já naquele tempo. Deus usou aqueles anos de preparo em estudos para abrir portas que possivelmente de outro modo não seriam abertas naquela região para a pregação do Evangelho. Assim o Senhor começou a me preparar para missões em minha própria casa e o fez de modo gradual e progressivo. O estilo de vida cristão é assim, um processo.Como teve a certeza do campo?O meu esposo correspondia com missionários na África do Sul. A razão, à época, apontava para a África, mas o nosso coração não se sensibilizava. É uma situação inexplicável, uma coisa de Deus. Era o ano de 1991, quando, minha irmã mais velha, recém–chegada dos EUA, onde fizera doutorado, soube de nosso desejo de ir a outro campo, sugeriu: ‘Por que não à Romênia’? Ela nos informou que conhecera nos Estados Unidos, dois pastores romenos que contaram sobre a queda do comunismo naquele país e observou: ‘Vocês têm o perfil para o ambiente que eles descreveram’. No dia seguinte, já estávamos seguros com relação ao campo missionário, mas a confirmação veio através da leitura de uma notinha na revista, então publicada pela JMM, chamada: A Pátria para Cristo, que buscava por um casal de missionários para a Romênia. Então, a Igreja que estávamos plantando disse ao Gérson: ‘Pastor, se o senhor quiser ir para a Romênia, nós vamos enviá-los’. A própria igreja escreveu à Junta de Missões Mundiais propondo preencher a vaga. Foi tudo muito natural e já vai para mais de 12 anos de campo. Um lugar onde nossos filhos cresceram e aprenderam a amar.
Fale-nos um pouco de sua experiência na Romênia, vivida em seus vários papéis, seja como esposa de pastor, missionária e mulher cristã que é.Vou começar com a experiência como mãe, esposa e dona de casa. Enquanto no Brasil a gente tem facilidade para encontrar quem ajude nas incumbências do lar, na Romênia não existia tal possibilidade. Estava à minha frente um país novo, um campo novo, três crianças pequenas, novos papéis e integralmente toda a responsabilidade com os afazeres domésticos. Foi então quando, começamos a ouvir histórias tristes sobre filhos de missionários que a certa idade optavam por caminhos questionáveis e infelizes e isso nos preocupou bastante e me fez assumir algumas posturas. Compreendemos, então, que o chamado de Deus para missões é para toda a família, inclusive os filhos e entendemos que teríamos de preparar nossas crianças para servir a Deus também como missionários. Tomei a decisão de ficar com eles, organizei a agenda de modo a educar pessoalmente meus filhos, acompanhá-los, apóia-los. Acordei sempre às 5: 30 da manhã. Preparava-lhes as marmitas, que eram levadas para o almoço na escola, cuidava da casa, realizava fora tarefas relativas ao trabalho missionário, retornava ao lar e aguardava seu retorno para fazer-lhes companhia. Na Romênia, um dia produtivo é sábado pela manhã. Então me organizei para aproveitá-lo bem. Nossos filhos sempre me acompanhavam ajudando em minhas preleções. Minhas crianças iam como meus ajudantes, participando, se envolvendo, cooperando. Um ajudava na confecção do material, outro carregava a água e outro arrumava a mesa para as reuniões infantis, por exemplo.
Por favor, eleja sua experiência mais marcante no leste europeu.Citarei dois fatos. A Romênia era marcada pela completa ausência da palavra missões e seu conceito. Nosso trabalho foi vitorioso nisso. Hoje, ocorrem na região, projetos missionários, fala-se em missões e formam-se missionários. Outro fato marcante aconteceu na Moldávia com a introdução do ensino bíblico do Dízimo. Antes, as igrejas subsistiam sustentadas e atreladas ao governo. Hoje existe a visão da realidade do Dízimo. Deste modo, duas doutrinas bíblicas passaram a ser incorporadas pelos cristãos daquela região, onde mesmo a Convenção Batista do País afirmou: “A partir de agora, o seu programa é o programa oficial da nossa Convenção”. É um antes e um depois muito visível, muito palpável, muito gratificante, que nos leva a concluir que Deus realmente nos quer naquele lugar. Isso é resposta de Deus ao nosso empenho e tal conquista impacta profundamente nosso trabalho, dividindo-o em antes e depois, para a glória de Deus. Nós mudamos neste período, cremos que aprimoramos nossa atuação, mas a sociedade romena também mudou muito.
Quando chegamos ao país, não havia nem supermercado. Tudo o que era vendido era do governo, tanto produtos quanto serviços, táxi, mercearia, padaria, vendedor de sapatos, tudo era do Estado. Porém, hoje, com a entrada na União Européia, a Romênia mudou da água para o vinho. Quando lá chegamos, não existia qualquer tinta colorida para pintar casas. Era tudo padronizado em cinza. Minhas crianças brincavam no carro, de encontrar cores, o que achasse ganhava um prêmio. Era um país cinzento. Em doze anos aconteceram mudanças profundas na sociedade e também na Igreja cristã romenas. Deus nos enviou no momento certo. Em três meses eu falava precariamente o idioma e em oito meses o Gérson pregou seu primeiro sermão na língua local. É um povo exigente quanto à língua e também com relação aos valores morais. Hoje eles nos deixam ter cargos de relevância lá com o ensino, muito porque crêem que nós temos exemplo na condução de nossa família. Eles entendem que só deve ser autorizado a ensinar, aquele que vive o que ensina. Atendemos a tais requisitos, pela graça de Deus.
Quais as maiores carências vividas pela família missionária no campo?A Junta de Missões Mundiais instrumentaliza. A Igreja envia e afirma: ‘Nós vamos cuidar de vocês’. Ela promete ser um apoio, mas há momentos em que o missionário, embora recebendo o sustento financeiro, embora sabendo que a Igreja ora pelo trabalho, se sente sozinho. Já por um período, nossa família está experimentando isso no leste europeu. Há momentos de maior carência. Seis meses após chegar ao país, recebi a notícia da morte de meu pai ,ocorrida aqui no Brasil. Compartilhei com a esposa de um outro pastor local e ela perguntou, literalmente: ‘Que tenho eu a ver com isso?’ Isso aprofundou a sensação de distância, isolamento e solidão. Hoje, as coisas mudaram muito no que diz respeito à comunicação, principalmente com a realidade do serviço de MSN e Skype, mas ainda ficaríamos muito felizes se os que nos enviam, dessem uma palavra no dia de nosso aniversário, por exemplo.
Estabeleça um paralelo entre a mulher na Romênia e a mulher no Brasil.As posições da mulher ocidental e da oriental são muito diferentes. Na região do leste europeu, as mulheres e as crianças têm um reconhecimento social muito acanhado. Há um forte ‘policiamento’ sobre a mulher, um filtro muito fino antes que permita que ela galgue qualquer função de destaque. Existe aqui também, mas muitíssimo mais fraco. Há os que desistem de permanecer lá porque não encontram portas abertas. Temos que entrar pelas brechas, aproveitá-las ao máximo e fazer a diferença. E isso não ocorre da noite para o dia, é necessário se promover uma mudança na concepção social.
A senhora tem uma mensagem especial às mulheres cristãs?Não existe no leste europeu, uma organização feminina como há no Brasil. Acho que a mulher cristã brasileira deve valorizar sua organização representativa e zelar pelo ensino missionário das crianças nas igrejas. Sei que deste modo, Deus abençoará seu trabalho em Goiânia, no Brasil e no mundo.



