segunda-feira, 9 de maio de 2011

NERO- " TAL FILHO, TAL MÃE"


Nero Cláudio César Augusto Germânico nasceu em Antium (atual Anzio) em 15 de dezembro de 37 d.C. e morreu em Roma aos 9 de junho de 68 d.C. Era descendente de uma das principais famílias romanas, único filho de Cneu Domício Enobarbo e Agripinila, filha de Germânico, neta de César Augusto e irmã do imperador Calígula. Segundo Suetônio, um grande escritor latino que nasceu em 69 da era cristã, em Roma e faleceu por volta de 141, o pai de Nero que servira como pretor e como membro da guarda pessoal de Calígula durante a viagem do futuro imperador para Oriente, era um assassino. Ainda segundo o mesmo historiador, o imperador Tibério acusou-o de traição, adultério e incesto. Acusações que cessaram somente com a morte do próprio Tibério. Quanto a Cneu, o pai de Nero, faleceu de um edema em 39, quando Nero contava apenas três anos de idade.

A mãe de Nero, Agripinila (também conhecida como Agripina Minor), uniu-se a Cláudio, herdeiro político de Calígula, o irmão que a odiava ao ponto de mandá-la ao exílio. Calígula foi assassinado junto com a esposa Milônia Cesônia e a filha Júlia Drusila, antes dos preparativos para a sucessão. Cláudio, casou-se pela quarta vez com a mãe de Nero, depois de assassinar sua esposa Messalina, após a mesma armar-lhe um complô. Para apoiar-se politicamente num herdeiro, Cláudio adotou Nero em 50 d. C., mudando seu nome para Cláudio Nero César Druso. Nero tornou-se herdeiro do trono, foi proclamado adulto com a idade de 14 anos, nomeado procônsul e aos 16 anos de idade tornou-se imperador após a morte de Cláudio. Episódio atribuído pelos historiadores à Agripilina, por envenenamento. Nero passou a imperador substituindo Cláudio, casou-se com a sua meia-irmã Cláudia Octávia, que depois rejeitou e uniu-se a duas outras: Popeia Sabina e Estatília Messalina.

Nero tornou-se imperador aos 16 anos de idade. Sendo jovem, diversas fontes antigas afirmam que foi fortemente influenciado pela mãe durante a primeira etapa do seu reinado, pelo seu tutor Sêneca e pelo Prefeito do pretório, Sexto Afrânio Burro. Os primeiros anos do seu reinado são conhecidos como exemplo de boa administração nos quais os assuntos do Império foram tratados de maneira efetiva e o Senado gozou de influência e poder nos assuntos do Estado. Contudo, rapidamente surgiram problemas devido à competição entre a influência da sua mãe e a dos seus assessores, Sêneca e Burro.

Em 54, Agripinila tratou de se sentar junto ao seu filho enquanto este parlamentava. Foi impedida por um assessor. O círculo de amigos de Nero começou a pôr o imperador contra sua mãe e advertiram-no sobre a sua "conduta suspeita". Nero, enquanto isso, insatisfeito com o seu matrimônio com Octávia, iniciou um romance com Cláudia Acte, uma liberta. Quando Agripinila teve notícias da infidelidade do seu filho, tratou de intervir em favor de Octávia e exigiu-lhe que despedisse Acte. Nero, apoiado por Sêneca, um dos assessores diretos, resistiu a que a sua mãe interviesse em sua vida privada.

Quando Britânico, seu meio irmão, filho do finado imperador Cláudio chegou à idade de 14 anos, Nero considerou-o como uma ameaça para o seu poder. Segundo Tácito, um historiador da época, Agripinila aguardava que, com o seu apoio, Britânico se tornasse herdeiro ao trono acima de Nero. Contudo, o jovem faleceu repentina e suspeitosamente a 12 de fevereiro de 55, o dia anterior à sua proclamação como adulto. Segundo Nero, Britânico faleceu de um ataque epiléptico. Porém, todos os historiadores antigos acusam Nero de envenená-lo com o vinho. Após a morte de Britânico, Octávia e Nero expulsaram Agripinila da residência imperial.

Com o tempo, Nero foi-se tornando cada vez mais poderoso, liberando-se dos seus assessores e eliminando os seus rivais ao trono. A relação amorosa com Popeia Sabina, a esposa do seu amigo e futuro imperador, Marco Sálvio Otão, desde 58, não vingaria com sua mãe viva, por causa de sua oposição. Ordenou o seu assassinato em 59. Os historiadores modernos acreditam que o verdadeiro motivo para assassinar a sua mãe seria que esta conspirara contra ele visando colocar Caio Rubélio Plauto no trono.

Assim, Nero foi um imperador romano que governou o desgoverno de Roma de 13 de outubro de 54d. C. até a sua morte, a 9 de junho de 68 da Era Cristã. Morreu com 30 anos de idade, quando ocorreu um golpe de estado de vários governadores. A guarda pretoriana fora subornada e o seu prefeito Ninfídio Sabino, que visava tornar-se imperador, capturou Nero e obrigou-o a suicidar-se.
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Roma em Chamas

Os escritos dos historiadores Tácito, Suetônio e Dião Cássio, atestam que o reinado de Nero é associado habitualmente à tirania e à extravagância. É lembrado por uma série de execuções sistemáticas, incluindo a da sua própria mãe e o seu meio-irmão Britânico, e, sobretudo pela crença generalizada de que, enquanto Roma ardia, ele estaria compondo com a sua lira. Passou para a História ainda como um implacável perseguidor dos cristãos. Durante a noite de 31 de julho de 64, ocorreu em Roma um incêndio que devastou a cidade. Tácito relata que, depois do incêndio, a população buscou um bode expiatório e começaram a circular rumores de que Nero era o responsável. Para afastar as culpas, Nero acusou os cristãos e ordenou que alguns fossem jogados aos cães, enquanto outros fossem queimados vivos e crucificados.

Tácito descreve, assim: “Contudo, nem por indústria humana, nem por larguezas do imperador, nem por sacrifícios aos deuses, foi conseguido afastar a má fama de que o incêndio tinha sido mandado. Assim pois, com o fim de extirpar o rumor, Nero inventou uns culpáveis, e executou com refinadíssimos tormentos os que, aborrecidos pelas suas infâmias, chamava o vulgo cristãos. O autor deste nome, Cristo, foi mandado executar com o último suplício pelo procurador Pôncio Pilatos durante o Império de Tibério e, reprimida a perniciosa superstição, irrompeu de novo não somente por Judeia, origem deste mal, senão pela urbe própria, aonde conflui e se celebra quanto de atroz e vergonhoso houver por onde quer. Assim, começou-se por deter os que confessavam a sua fé; depois pelas indicações que estes deram, toda uma ingente multidão (multitudo ingens) ficaram convictos, não tanto do crime de incêndio, quanto de ódio ao gênero humano. A sua execução foi acompanhada por escárnios, e assim uns, cobertos de peles de animais, eram rasgados pelos dentes dos cães; outros, cravados em cruzes eram queimados ao cair o dia como se fossem luminárias noturnas. Para este espetáculo, Nero cedera os seus próprios jardins e celebrou uns jogos no circo, misturado em vestimenta de auriga entre a plebe ou guiando ele próprio o seu carro. Daí que, ainda castigando os culpáveis e merecedores dos últimos suplícios, tinham-lhes lástima, pois acreditavam que o castigo não era por utilidade pública, mas para satisfazer a crueldade dele próprio”.
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A Bíblia afirma, em Provérbios 22.6, que do caminho em que a criança é educada não se desviará e os especialistas em educação afirmam que os que crescem no caminho da violência, geralmente não sobrevivem além dos trinta anos. Ambas as assertivas já eram válidas na Roma dos Césares, de Agripinila e Nero.
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